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Há 14 anos fora. Há 14 anos amando o Brasil!

Quinta-Feira, dia 21 de Abril de 2016.

Hoje fazem exatamente 14 anos que pisei a primeira vez em um país que não fosse o meu Brasil. Ainda muito jovem e cheia de dúvidas e sonhos, cheguei em Nova Iorque recém formada em direito e com a esperança que um curto período na ‘terra do Tio Sam’ já me ajudaria a economizar o dinheiro necessário para que eu voltasse e pudesse montar o meu escritório. Já contei em alguns texto aqui neste mesmo blog sobre a saudade que sinto do meu país de origem e, embora ainda seja verdade, não quero ser repetitiva e usar esse pequeno texto de hoje para me lembrar desse sentimento tão comum a todos que deixam a sua pátria em busca de um futuro diferente.

A verdade é que seriam necessários vários capítulos de um livro para que eu pudesse descrever com exatidão as reviravoltas e coisas maravilhosas que tive a honra de viver durante o período que vivi nos Estados Unidos e, já há quase 6 anos, na Arábia Saudita. Como disse, cheguei sozinha e com todos os sonhos e dúvidas do mundo dentro de mim e, pela graça de Deus, me transformei em uma mulher. Ainda com sonhos, que também se depara com dúvidas mas que também, pela experiência tem a convicção de saber que o futuro está reservado e o meu trabalho é apenas viver confiante.

Por essa razão, também não usarei esse espaço para descrever a minha história. Mas sim, simplesmente como uma declaração do amor que carrego no peito a esse meu país. Ser brasileira é especial e só quem é pode dizer isso com toda a certeza do mundo e esse sentimento só faz com que se aflore quando saímos e conhecemos outras nações. Passamos a ter um orgulho enorme da nossa terra, do nosso jeito de lidar com as situações, do nosso jeito de ser. Aliás, até o famoso ‘jeitinho brasileiro’ faz falta por aqui, claro que não aquele deturpado e que tenta ‘passar a perna’ em outras pessoas para se dar bem. Quando me refiro ao ‘jeitinho’, falo dessa maneira leve e descontraída que só o brasileiro tem de encarar as situações, de sempre dar o melhor de si e não desistir de lutar, nunca. Essa é uma dádiva desenvolvida pelo brasileiro e faz toda a diferença quando encontramos pessoas de outras nacionalidades.

Em contra partida a todo esse amor que sinto, encontro muitos conterrâneos que fazem questão de explanar sempre os lados negativos do nosso país e isso me doi, e muito. É horrível encontrar com brasileiros que também moram fora e que insistem em só destacar aquilo que há de ruim na nossa nação. Sem querer estabelecer julgamentos e se em algum ponto eu soar um tanto ofensiva, peço desculpas. Mas, fico com a sincera impressão de que essas pessoas não estão decepcionadas com o país, mas sim consigo mesmas. Um mix de frustração e desesperança consigo mesmo pois entendo que negar a sua cultura é dizer não a aspectos importantes que formam a sua própria identidade. Repito que não quero parecer juiíza de valores e entendo que muitos saíram do país enfrentando situações dificílimas e situações que, muitas das vezes, a ‘empurraram’ para a busca por oportunidades além das fronteiras. Porém, acredito também que, independente dos problemas que todos encontramos no país, exaltar apenas os aspectos que compôem as mazelas da nossa nação em detrimento do que há de maravilhoso no Brasil é sim, de uma certa forma, negar aquilo que, querendo ou não, nos compõe como pessoas e forma o nosso caráter, não importando o tempo que estamos morando fora.

“Mas então, Nadia. Ficaremos calados diante das injustiças que existem no país?” De jeito nenhum! Ao contrário, temos que deixar claro entre nós, brasileiros, tudo aquilo que afeta o Brasil que amamos de maneira negativa até como uma forma de conscientização coletiva e de formação de uma indignação genuína que nos leva a agir, a partir dos pequenos atos, com retidão e justiça. Mas sempre no interesse de melhorar a nação a partir de nós mesmos, e não a partir da maledicência pura e simples que nos mantermos prontos para falar e preguiçosos para fazer alguma coisa de verdade. Pois isso, infelizmente, não ajuda em nada.

Amo os Estados Unidos, tenho cidadania americana, marido e filhos que nasceram naquela nação e sou grata a Deus por isso e acredito que se tivéssemos o nível de patriotismo que o norte americano tem com o seu país teríamos um Brasil bem diferente. Temos sim que nos mover, gritar, exigir e ter fé que, a partir disso, as coisas começarão a ser mudadas. Não podemos nos encontrar na acomodação, e sim no descontentamento que gera um instinto de lutar para que as coisas possam ficar um pouco melhores para nossa família e amigos que moram no nosso país.

Por isso, além de uma declaração de amor a esse país que amo e tenho orgulho, esse texto serve também como um convite. Você está morando fora e tendo a oportunidade de ver determinados pontos a partir de uma perspectiva diferente? Então mostre às pessoas no Brasil como a saúde, educação e cidadania podem sim funcionar e que as coisas não precisam ser do jeito que são. Se necessário for, organize um abaixo assinado, mobilize pessoas no Brasil a pensarem como você e cobrarem os responsáveis.

Como diria o ditado: “Não perca isso de mente, muito mais do que políticos, quem faz o país é a gente!”

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Feliz feriado e viva o Brasil!

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