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#contrastes Você conhece o Ramadan?

O post de hoje é pra contar um pouquinho sobre a época mais importante do ano para os muçulmanos e consequentemente, para o calendário da Arábia Saudita. Aliás, essa é a primeira vez que terei a oportunidade de ver o Ramadan bem de perto, já que toda vez que a época chega eu saio de férias com as crianças não sinto muito os efeitos e as mudanças que esse período do ano traz para a rotina do país.

Mas, afinal, o que é o Ramadan?

Como você sabe, o Islã é uma das maiores religiões do planeta. Não só isso, está em segundo lugar no ranking com mais de 1.6 bilhão de fieis espalhadas por todo mundo e o  alcorão – livro sagrado do povo muçulmano – estabelece um conjunto de dogmas bem específicos que tratam inclusive de eventos essenciais para que alguns ensinamentos sejam vividos, no caso do Islã, o Ramadan é um desses eventos!

Para você ter uma ideia , o jejum do Ramadan é considerado um dos cinco pilares da fé islâmica – os outros são: O Testemunho de Fé; A Oração; O Apoio aos Necessitados e a Peregrinação à Meca – e é obrigatório a todos os seus fiéis! Trata-se de um tempo super importante em que os muçulmanos se reúnem em oração e aproveitam essa oportunidade única para reviver, renovar e revigorar sua prática de fé. A palavra Ramadan tem origem na palavra árabe “ramida” que significa “ser ardente”.

No meu caso, estrangeira e não muçulmana, os avisos são bem claros para não comer e nem beber em público, apenas em casas e lugares destinados para que os não muçulmanos façam suas refeições. As lojas continuam abertos, mas os restaurantes…bem, esses fecham completamente durante o período do jejum, que deve durar até o pôr do sol. Descobri que até o meu tradicional café que tomo quando vou ao Shopping vai ficar prejudicado, não há como nem tomar uma água sequer! Meu marido, que por causa do trabalho é obrigado a passar o Ramadan aqui na Arábia todos os anos, conta que já passou por ocasiões onde ficou constrangido até por tomar uma garrafinha de água que ele havia levado para o trabalho. Mesmo sendo estrangeiro temos sim que cumprir com as regras do jejum!

Durante todo o mês, as lojas e supermercados são decorados e até promoções com o tema aparecem por todo o lado!

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Por sinal, o início do festa em cada ano é baseado na combinação das observações da lua e em cálculos astronômicos. Seu término é determinado de maneira semelhante. Como o Islã utiliza como guia o calendário lunar (que é onze dias mais curto que o calendário solar adotado na maior parte do mundo ocidental), fazendo com que o período sagrado varie de ano para ano, o que significa que o jejum pode ser celebrado em diferentes meses e estações!

Muitos muçulmanos vestem suas melhores roupas e decoram suas casas com luzes e outros enfeites, fica tudo muito lindo, uma espécie de “natal” árabe. Dívidas antigas são perdoadas e boa parte do dinheiro é doado aos pobres. Preparam-se alimentos especiais e convidam-se amigos ou parentes para partilhar a festa. As crianças recebem presentes e há troca de cartões, como eu disse, algo bem parecido com o nosso Natal, certo? Um dos contrastes mais interessantes é o valor dado a ajuda aos pobres, já li em alguns livros inclusive que o ato de doar é comparado a uma purificação por pecados cometidos ou pelo descumprimento do jejum para com Allah.

Ainda durante as noites do Ramadan, as pessoas costumam ficar acordadas durante muito tempo celebrando e indo à mesquita para uma oração especial. O resultado é, apesar do jejum, o aumento do consumo de alimentos já que toda noite acaba se transformando em uma espécie de ceia e os muçulmanos acabam enchendo a mesa e usando artigos de luxo para se enfeitar durante o período mais do que em qualquer outra época do ano!

Espero que você tenha gostado de conhecer um pouquinho sobre essa festa tão importante. Ah, não esquece de deixar a sugestão de pauta pra mim! Afina, é a sua curiosidade ou dúvida que movimenta essa série que tanto amo escrever.

Beijinhos!

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